13 de mai. de 2009

Plano terá que cobrir tratamento para engravidar

BRASÍLIA. Os planos de saúde estão obrigados, desde ontem, a cobrir as despesas de tratamento de fecundidade, dando uma nova feição ao planejamento familiar. Até agora, apenas intervenções como vasectomia, laqueadura de trompas e o uso de DIU (dispositivo intra-uterino) - para evitar a concepção de filhos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem uma mudança na Lei 9.656, de junho de 1998. O novo texto já está publicado ontem no Diário Oficial da União (DOU) e, portanto, entra em vigor.

O projeto original de ampliação da cobertura do plano de saúde é de autoria do deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), que é médico ginecologista.

A proposta foi aprovada definitivamente em março pelo Senado.

O presidente Lula manteve um outro benefício que já constava da Lei 9.656: os planos continuam obrigados a cobrir o atendimento em casos de emergência (que implicarem em risco imediato de morte ou de lesões irreparáveis para o paciente).

Estes devem ser resultantes de acidentes pessoais ou complicações na gravidez.

Os hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) fazem procedimentos de planejamento familiar.

Resende reconhece que métodos de concepção, como o de fertilização, devem onerar os planos de saúde, que, segundo ele, terão que se adaptar às novas regras. Ele argumenta que o grande problema é que muitos casais, desejosos de ter filhos, até vendem seu patrimônio para poder financiar em clínicas particulares o tratamento. A fertilização assistida, como é chamada, tem custos que variam entre R$ 20 mil a R$ 40 mil nessas clínicas particulares do país.

Trabalho à distância ajuda a atrair talentos

13 de Maio de 2009 - O acesso a um conjunto mais vasto de talentos, melhora de produtividade, menos gastos no espaço dos escritórios, zonas comuns, seguros, manutenção, estacionamento... O trabalho remoto (ou teletrabalho) melhora o estilo de vida dos funcionários e os resultados das empresas, além de reduzir o consumo de energia, os problemas de transporte, a poluição e a necessidade de cortar pessoas. Ele também incrementa a competitividade global, a criação de emprego e o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. É o que demonstra um estudo elaborado em 2008 pela agência de seleção Robert Half International, o qual indica que o trabalho remoto e os horários flexíveis são o terceiro incentivo mais importante para atrair pessoal, depois do salário e dos benefícios sociais e à frente dos bônus e dos dias extras de férias.

As organizações que têm mais êxito com essa modalidade de trabalho tendem a integrá-lo de forma que se encaixe perfeitamente em sua infraestrutura legal, financeira, administrativa e de recursos humanos, desde que seja uma prática voluntária, sujeita à decisão da direção, que pode ser assumida operacionalmente e sem custos adicionais.

Porém as empresas seguem manifestando desconfiança "pelo fato de não controlarem a presença no local de trabalho; elas continuam mantendo os esquemas tradicionais para os novos tempos", afirma Angel Belzunegui, do Grupo de Pesquisa, Análise Social e Organizacional da Universidade Rovira i Virgili, da qual é professor de Sociologia. Ele acrescentou que, nesse sentido, "a confiança mútua é indispensável para que o teletrabalho tenha êxito. As organizações mais novas e flexíveis, como as de desenvolvimento de software e, em geral, as inovadoras e tecnológicas, são as que mais incorporaram essa estrutura de operação com notáveis índices de satisfação". Para esse especialista, os países com mais cultura de trabalho a distância "são aqueles que despontam em empresas tecnológicas e no investimento em inovação e desenvolvimento: Estados Unidos, alguns países nórdicos e a Índia, com uma potente massa de trabalho formada no setor de software". No Canadá, por exemplo, o segundo maior país em extensão do mundo, as longas distâncias obrigam seus cidadãos a viajar com frequência, por isso o trabalho remoto é, cada vez mais, uma alternativa.

As previsões realizadas para a implantação do teletrabalho na Espanha, como no restante da Europa, "não se cumpriram", assegura Belzunegui. Segundo o relatório produzido pela consultoria CVA, "O teletrabalho no ambiente das políticas de conciliação na Espanha", cerca de 16,2% das organizações pesquisadas - todas com mais de 250 funcionários - afirmam que oferecem essa possibilidade de trabalho em algum nível para seus empregados. Só 1,37% oferece totalmente essa opção. Por comunidades autônomas, Madri (57,9%) é a que mais recorre a essa medida, seguida por Barcelona (9,7%) e Valência (4,8%). Por setores, os dados revelam que o de serviços (28,7%), o industrial (18,5%) e o imobiliário (12,1%) são os que mais utilizam o teletrabalho.

Belzunegui não acredita que a situação econômica atual faça com que as empresas estendam o teletrabalho para seus funcionários: "A crise afetou fundamentalmente as empresas de mão de obra intensa, as que não melhoraram seus produtos e processos; numa palavra, as que não são inovadoras. Pode ser, em todo caso, que aumente no domicílio dos autônomos. Para sua expansão, o teletrabalho necessita de estabilidade e crescimento e de um modelo produtivo que se baseie na geração do conhecimento".

Na Espanha, essa forma de trabalhar vinculou-se "aos temas de conciliação (um exemplo claro é a Administração Pública) e também como instrumento mais direcionado para as mulheres, mas cujas possibilidades reais não foram exploradas no que se refere à distribuição individual da jornada de trabalho e à flexibilidade de horário fornecida pela empresa", afirma Belzunegui.

De algum modo, o trabalho remoto já é uma prática cotidiana e não planejada para grande número de trabalhadores que utilizam o telefone fixo ou o celular, o e-mail, a internet e o fax fora do do seu local habitual de trabalho e, muitas vezes, fora também do horário em que costumam atuar, segundo o estudo "O trabalho na conciliação da vida familiar e profissional das mulheres espanholas", uma pesquisa promovida pela UGT Euskadi, realizada na base do Plano Avança Cidadania.

Como parte do projeto, iniciado em setembro de 2008 e com término previsto para outubro de 2010, foi realizada uma pesquisa com mulheres em toda a Espanha. Entre os resultados obtidos, cabe destacar que a última referência de teletrabalho fala de 4,9% da população ativa espanhola, uma das mais baixas da Europa. Com respeito às possibilidades que as empresas oferecem às trabalhadoras espanholas para aceitarem essa modalidade, os dados mostram que cerca de 20% das entrevistadas afirmam que sua empresa lhes daria essa opção. Entre as vantagens, citam dispor de mais tempo, a redução do nível de estresse e a conciliação da vida profissional com a pessoal. Só cerca de 5,7% das entrevistadas trabalham em casa no presente.

É certo que nem todas as pessoas são candidatas a trabalhar em casa, pelo lugar em que moram, pela situação familiar ou pela forma de organização. "É preciso analisar se será positivo para a empresa e para o trabalhador", afirma Consuelo León, pesquisadora do Centro Internacional Trabalho e Familia da IESE Business School, da Universidad de Navarra. As pesquisas conduzidas por esse centro mostram que existem três pilares básicos sobre os quais se instala a flexibilidade. tecnologia, item mais fácil de conseguir, mas também condição imprescindível, já que sem ela a tarefa não pode ser executada; processos, que devem ser conduzidos adequadamente para serem realizados à distância; e cultura, que acaba se materializando no chefe. Afinal, é a liderança que deve estimular os funcionários a aproveitarem a flexibilidade horária e espacial, tirando proveito dela e animando outros a fazerem o mesmo.

(Gazeta Mercantil/Caderno D - Pág. 7)(Ana Colmenajejo Expansión)