6 de ago. de 2009

Mais uma reunião...

Sim, mais uma reunião. Infelizmente nossas empresas entendem que as deficiências organizacionais podem ser compensadas com reuniões, mas isso é cultural e é preciso conviver com essa situação, enquanto não se consegue melhorar o nível gerencial. Assim sendo, o melhor mesmo é aproveitar a reunião para aumentar a empregabilidade.

Uma reunião bem aproveitada pode ser um fator importante de promoção pessoal, uma vitrine para demonstrar o equilíbrio, a capacidade gerencial, e o bom senso de quem dela participa. Mas, pode ser também, uma exposição negativa comprometendo seriamente a imagem do participante.

Para se ter um bom desempenho é preciso entender que as reuniões visam qualificar uma decisão mediante a troca de pontos de vista, ou seja, da visão dos participantes sobre o assunto em questão. Assim sendo, reuniões são importantes. O que está errado é ter de tomar decisões desnecessárias, já que um bom sistema gerencial minimiza enormemente o número de decisões a serem tomadas. Mas isso é outra questão.

Como geralmente as reuniões têm uma pauta determinada é fundamental o preparo, com estudo dos temas propostos e coleta do material de apoio que possa ser utilizado. Chegar um pouco antes é interessante, e caso não exista lugares pré-determinados sentar o mais próximo possível do coordenador.

É, não somente interessante, mas de boa educação, escutar atentamente, mas atentamente mesmo, o que os participantes estão dizendo, pois isso vai melhorar a visão do tema em questão, permitindo o enriquecimento da manifestação feita no momento oportuno. A escuta atenta gera uma empatia com quem está falando, predispondo a um relacionamento positivo. Conversas paralelas devem ser evitadas, pois perturbam a reunião e geram uma imagem negativa.

O que mais importa numa reunião não é o que é dito, mas como é dito e quando é dito. Depois que os angustiados já falaram e disputaram atenção, depois que o nível de tensão baixou, há sempre um arrefecimento de participação e esse é o momento de se falar, pausadamente, sem angústia, claramente, e organizadamente. É interessante resgatar algumas manifestações que tenham sido feitas, mas isso no sentido positivo, reforçando os argumentos apresentados que coincidam com o ponto de vista de quem está se manifestando, evitando gerar polêmica criticando as opiniões discordantes. É preciso lembrar que a crítica desorienta e gera conflito, e o reforço constrói e enriquece a decisão.

A empresa sonhada e realizável**


Uma empresa onde todos trabalham como se estivessem cuidando do seu próprio negócio.

Onde não haja necessidade de ter chefes, pois cada um sabe o que deve fazer e como fazer.

Na qual as pessoas estão atentas e preocupadas com as vendas, por dependerem delas.

Ninguém pede promoção, ou aumento de salário.

Quem não corresponde às expectativas é rejeitado pelo grupo, sem que alguém tenha de despedir.

Todos ganham o que valem no mercado de trabalho, nem mais, nem menos.

Não existem cargos ocupados, mas somente funções exercidas.

As decisões são tomadas por quem tem competência.

O lucro é distribuído de acordo com a contribuição de cada um para sua geração.

As pessoas vão para o trabalho com entusiasmo e alegria.

Aqueles que trabalham na empresa têm o sentido do pertencimento, pois sabem que só depende deles o continuar trabalhando.

Ao se referirem à empresa todos dizem: “a nossa empresa”.

Os dirigentes são respeitados e valorizados pela importância do trabalho que fazem conduzindo a empresa.

As pessoas são corretamente avaliadas e valorizadas de forma justa e sem privilégios.

Não existem barreiras para o crescimento funcional na empresa, cada um vai até onde tem capacidade para ir.

A produtividade é excelente, pois todos dão o máximo de contribuição.

A lucratividade é excepcional, tornando o capital investido satisfeito e interessado.

A boa notícia é que essa empresa sonhada é realizável, basta haver vontade política para fazê-lo. É preciso, tão somente, adotar a estrutura em células de produção, partir para a implantação da parceria industrial e desenvolver um trabalho de mudança cultural. Algo simples, de resultado imediato, que independe de legislação ou ação governamental.

As atividades afins são organizadas em células, sejam elas administrativas ou industriais; cada célula tem a dimensão correspondente à função que executa; as células são autogestionadas e fazem parte de um sistema retroalimentado; os procedimentos são automatizados, dispensando decisões operacionais repetitivas.

Os que trabalham estão vinculados a uma entidade representativa do capital humano, que mantém com a empresa contrato de comodato das instalações e equipamentos e contrato de parceria, definindo a participação na receita operacional.

Os dirigentes da empresa ficam liberados para voltar suas atenções para o mercado, e despreocupados com os aspectos operacionais da entidade que dirigem.

O difícil de entender é a razão pela qual tantas empresas continuam mantendo uma estrutura baseada na autoridade; na ocupação e disputa por cargos; na insegurança da dispensa; no conflito capital e trabalho; no desinteresse pelo que é feito; nos custos fixos com pessoal; no risco de enfrentar ações trabalhistas; na baixa produtividade; na perda de competitividade e, até ameaça de insolvência.